O massacre dos cristãos

 

Esta é uma carta endereçada a Flávio, narrada por Septímio, na época áurea do Império Romano.

"Uma espécie de gente muito característica, Flávio, apareceu no Estado (Roma). Encontram-se às ocultas e recusam-se a queimar incenso diante dos deuses oficiais. Não saúdam a César quando ele passa. Diz-se que essas pessoas adoram divindades estranhas e praticam estranhos ritos.

O Imperador Cláudio mandou prender milhares delas para pastos de leões. Nero mandou enfiá-las em postes e cobri-las com um traje untado de breu e piche. E depois, certa noite, ateou-lhes fogo e fê-las desfilar pela cidade, como tochas ardentes. E aquela gente sofria silenciosamente, ao que parece. Nossos imperadores romanos experimentam profundo prazer em torturar homens, mulheres e crianças, que morrem sem uma palavra de protesto.

Meu amigo Petrônio me disse que tem suspeita de que indivíduos são confortados por algum poderoso “espírito” que paira sobre eles.

Na última semana, quando Petrônio foi ver uma moça que ia ser queimada numa estaca, ficou bem perto dela no momento em que a amarravam e pode ouvi-la murmurar: “Santo Pai!” Petrônio imagina que são palavras mágicas, de tal poder que são capazes de morrer tão bravamente.

Essa gente, diz ele, deve ser encantada. Suportam os maiores suplícios de rosto impassível. (sereno, calmo, tranqüilo).

Muitos deles retiram-se para o deserto, a viver sozinhos em cavernas, furnas, flagelando-se e orando. Cada vez aumenta mais o número de romanos que procuram esses Cristãos, os quais prometem salvá-los das orgias dos césares e mostrar-lhes um reino muito maior que o Império Romano.

Negariam eles a divindade de César, esses rebeldes que partem o pão e oferecem vinho e cochicham estranhas orações, quando se encontram?
Ainda ontem, nova turma foi lançada aos leões, no coliseu. O odor do sangue e das entranhas dilaceradas dominou os perfumes árabes que o coliseu tinha sido banhado. O espetáculo era repugnante. Contudo exerceu mágico efeito sobre os espectadores. Muitos deles desceram para a arena, convertendo-se ao Cristianismo.

Que poder, humano ou divino, ó Flávio, sustenta esses homens? E que conta mágica é essa que conserva seu número sempre em aumento, a despeito de serem milhares deles queimados na estaca ou devorados pelas bestas selvagens?

Ontem assisti a uma função noturna no circo. Nero arranjou novo sistema de iluminação para o espetáculo. Em lugar das costumeiras tochas, o circo foi iluminado pelo clarão dos mártires em chamas... Vi-os com os meus próprios olhos e nova luz brilhou em mim.

Sinto... não diga isso a ninguém....sinto que me estou tornando cristão!"

 

Fonte Desconhecida

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