Descontraindo com a crônica: Memórias de uma caneta

 

Apelo... 

Se teus sentimentos foram frágeis
Confesso que vais chorar.
Mas, se permaneceres forte,
Conosco irás colaborar (mesmo chorando)


Éramos três: Eu, o lápis e a boa e gentil borracha.

Vivíamos juntos, unidos, té que um dia, por descuido ou desatenção, alguém nos separou.

Triste fiquei, porque não mais estava no lugar tão bom e agradável que dantes me deixavam... Éh!.., ali eu era útil nas horas precisas, decidida a trabalhar a qualquer hora do dia e da noite.
Raros eram os momentos em que eu não estava disposta para o trabalho. Quando isto acontecia, tomavam-me nas mãos com delicadeza, aqueciam-me e pronto, estava novamente de ânimo pronto para o labor.

Aqueles para quem eu trabalhava me retribuíam com muito carinho colocando-me, de volta, ao lugar de repouso – o porta-caneta – após a árdua tarefa de percorrer centímetros e centímetros de pautas, preenchendo-as.

Tenho saudades de meus companheiros que muitas das vezes sofrem a mesma sorte... Sinto-me marcada pelo destino, peregrina em bolso estranho. Todavia, um dia, exausta, descreverei minhas últimas palavras.

NÃO DEIXE UMA CANETA SOFRER, APÓS O USO, O PORTA-CANETAS A ESPERA.

 

Amauri Galvão

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