Esta pode ser a sua história

A juventude está presente em todos os níveis e áreas profissionais. Quer na atividade de alta influência ou no trabalho humilde, o jovem marca presença.

Muitos tentam omitir tal idéia, mas isso é impossível. Seria o mesmo que tentar apagar o sol com uma balde de água. Estendemos nosso apreço, respeito e admiração aos mestres que, com os já cabelos brancos, contemplam o avanço daqueles que outrora foram seus discípulos. Estes trilham seu caminho deixando marcas pela história que continua.

A Bíblia narra histórias e mais histórias de moços que se destacaram por amar a Deus. Nos 66 livros e 1195 páginas de uma bíblia comum, de Gênesis ao Apocalipse, do começo à conclusão de todas as coisas, vemos a juventude em ação. Ora de joelhos, ora em pé, combatendo, obedecendo, na frente e no meio de batalhas, a sua retaguarda, enfim, presente e em ação.

Não deixamos de frisar que houve muitos desobedientes, insubordinados e rebeldes, cujo fim é um aviso e alerta a todos. No entanto, voltemos o olhar para a sublimidade daquele que anda com Deus.

O primeiro jovem que revolucionou a época antiga foi, de fato, Enoque. Pela genealogia hebraica contida no capítulo 05 do livro de Gênesis, versos 21 a 24, lemos que “Enoque viveu sessenta e cinco anos e gerou a Matusalém. E andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, 300 anos e gerou filhos e filhas. E foram os dias de Enoque 365 anos. E andou com Deus, e não se viu mais, porquanto Deus para si o Tomou”.

Naqueles dias alguém com 365 anos de idade era considerado ainda um moço. Estava na metade de seus dias. Seu filho Matusalém morreu com 969 anos. Isto, somente para termos uma idéia do que estamos descrevendo. O fato na vida do moço Enoque é o seguinte: “andou com Deus e não mais foi visto”. Este revolucionou aquela época. O primeiro caso de desaparecimento na Bíblia, sem deixar vestígios. Sumiu, desapareceu. Ninguém mais o viu. Por que? Foi seqüestrado? Esqueceu de levar bússola e se perdeu na mata? Ou, por um ato de irresponsabilidade abandonou mulher e filhos para viver como um eremita errante? Não! Não foi por isto nem aquilo. Simplesmente “Deus para si o tomou”.

Notemos o que afirma a Bíblia. Deus não o levou, simplesmente “o tomou”. Usemos a ênfase sagrada: “Deus o tomou”. Com sua poderosa mão o arrancou da face da terra, não porque tinha raízes aqui, e sim, por possuir tesouros no céu. Vencida foi a lei da gravidade, subiu ao céu, literalmente arrebatado. Alguém deve ter assistido o lance momentâneo, pois está escrito: “E já não era”, isto quer dizer: – olhei e ele estava ali – “ele era”. Voltei a olhar novamente e eis que não estava mais - “e já não era”.

O viver, o andar do jovem cristão é um mistério, é indefinível pela razão, é sublime. Para tentar um vislumbre desse mistério temos de lançar mão das palavras bíblicas “andou com Deus”, concordando assim com o que Paulo, o apóstolo, escreveu na sua primeira carta aos Coríntios, capítulo 2, verso 15, especificando que “o que é espiritual discerne bem tudo e ele de ninguém é discernido”. O escritor da genealogia de Gênesis, capítulo 05, tem toda razão em usar o vocábulo “Tomou”. “Deus tomou”. Vejam por quê:

Em primeiro lugar, Enoque estava cercado por uma sociedade que não fazia questão de saber se Deus se importava ou não. Isto é comprovado pelo que está escrito no capítulo 6, verso 5 do mesmo livro descrevendo que “O Senhor viu que a perversidade do homem tinha aumentado na terra e que toda inclinação dos pensamentos era sempre" – notem o processo – "e somente para o mal” – incluído aí propósitos e desejos. Assim, enquanto o povo perdia-se nas noitadas e baladas, Enoque escondia-se mais em Deus.

Em segundo lugar, o desejo de Enoque era somente um: Quero estar na companhia de Deus. O diabo enganou, amarrou e prendeu toda a população daquela época. No entanto, havia um que resistia, existia um que não entregava os pontos. Um moço que estava bem ciente de sua fé e de quem era Seu grande Deus. Esse moço era Enoque. Satanás urrava e rugia ao seu redor para tragá-lo, justamente como está escrito na primeira carta de Pedro, capítulo 05, verso 08. O diabo não suportava ver uma exceção em meio à multidão decaída. Essa exceção era Enoque.

Em terceiro lugar, a vida de Enoque foi uma completa exceção. Foi o homem que não se pautou pelas regras, normas da genealogia da época, vejamos:
-Ele foi o que menos viveu naquele tempo, e o que mais andou com Deus. Parece que podemos visualizar o coro de anjos cantando aquela bela página musical: “Quer nas trevas, quer nas lutas, o Enoque segue caminhando, segue caminhando, sem olhar atrás”. E por resposta soava no espírito de Enoque o poema: “É assim, o crente que é fiel; sempre lutando, sofrendo, chorando e crendo. É assim, assim para chegar ao céu. Humilde, ajoelhado, sincero e abençoado”.

-O escritor da genealogia no livro de Gênesis já estava acostumado a reproduzir a narrativa “viveu 800 anos e morreu; viveu 700 anos e morreu; viveu 850 anos e morreu.” Mas, com Enoque foi diferente. Ele deu origem à exceção da regra “morreu”, regra essa que marcou seus antecedentes e contemporâneos. No momento quando o narrador foi incluir Enoque na genealogia, seus dias e a conclusão dos mesmos, pensou consigo: “Grande homem esse Enoque. Como é que eu vou descrever esse acontecimento”!?

Havia uma só maneira e ele a usou. Deixou registrado para todos lerem: “Andou com Deus, e já não era, porque Deus o tomou para si”. Detalhou bem para todos entenderem: “andou com Deus”. Não vemos aqui a expressão “Deus andou com ele”, mas, sim, “ele andou com Deus”. Seguiu-o, perseguiu-o, insistiu em acompanhar nosso Deus de tal maneira que o Pai Divino, observando as intenções daquele homem, resolveu: “Este realmente não desiste. Acompanha-me em qualquer circunstância. Quando parece que não está por perto, é nesse momento que o encontro agarrado em Mim. Para ele, meu Reino e minha vontade estão em primeiro lugar, realmente. É um grande amigo, vou trazê-lo para mais perto”. E o tomou.

O coração desse homem pulsava as palavras: “Eu quero é Deus. Eu quero é Deus. Eu quero é Deus”.

-Enoque viveu numa época de crescente fisiculturismo e beleza corporal, conforme revela Gênesis, capítulo 06, verso 04: “Ora, naquele tempo havia gigantes na terra, e também depois, quando os filhos de Deus possuíram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Estes foram os heróis do passado, homens famosos”. Marcada pela exaltação do homem, do físico, da beleza externa, da valentia, da forma, esse momento não exerceu influencia sobre Enoque. Tais valentes foram os “rambos e exterminadores”, os faixa-pretas na arte da luta corpo-a-corpo e destreza em armas do tempo passado. E as mulheres? Estas foram as “miss-caldéias” daquelas regiões, gastando a maioria do tempo no embelezamento exterior para impressionar os valentes, os famosos do passado.

Não estou fazendo apologia à ausência do bonito e belo, forte e atlético ou abrindo mão de uma vida saudável e bem estruturada. De maneira nenhuma. No entanto, quando a pessoa concentra-se só em si mesma, exaltando o seu ego, acontece o que podemos definir como "o processo pré-diluviano”: Esquecem de Deus e pensam que estão no controle de tudo. E é isto mesmo que o diabo quer. Este quer que a juventude se esqueça que há um Deus pronto para julgar.

Em meio a tudo isso, Enoque priorizava sua comunhão com Deus. Ela era inegociável e intransferível. Ele notava o processo que estava sendo desencadeado com o envolvimento dos filhos de Deus com as filhas dos homens. Jugo desigual. Luz mesclando-se com as trevas. Benção estranhamente envolvida com maldição. O cálice do Senhor entre o cálice dos demônios e a fé desaparecendo. A conversa dos meios sociais da época era: “Não há Deus para se importar. Vamos comer e beber porque amanhã morreremos e tudo está acabado.” A voz e a fé dos filhos de Deus perderam sua atuação. A influência da cultura do momento e a convivência e beleza das filhas dos homens cuidaram disso.

Por outro lado, Enoque alçava o olhar para as campinhas e soluçava como o salmista: “Elevo os meus olhos para os montes, de onde me virá o socorro?” Prontamente seu espírito respondia: “O meu socorro vem do Senhor que fez os céus e a terra”. E não tardou para que fosse socorrido, pois o dilúvio se aproximava.

O diabo não queria abrir mão, não desistia do único moço que preferiu resistir-lhe a ser levado pela ilusão dos sentidos humanos. Enoque era jovem, tinha muita vida pela frente, mas, também, à frente estava o julgamento de Deus: o dilúvio. O inimigo de toda fé e crença em Deus, com base na desobediência de Adão, reivindicava aquele jovem, porém, Deus legalmente o livrou de garras assassinas e brutais, firmado na decisão de Enoque, que, no seu livre arbítrio, optou por continuar inabalável na sua fé em Deus. Aí está o verdadeiro significado da expressão “entrar no, ou, para o Reino de Deus”.

Satanás é mentiroso, ladrão, salteador, caluniador, adversário, acusador e inimigo. Não há acordo nessa área. A morte, pelo dilúvio, estava se aproximando e o diabo tinha o domínio da morte. A solução seria uma só: TIRAR ENOQUE DA FACE DA TERRA PARA NÃO VER A MORTE. E assim aconteceu. “Pela fé Enoque foi arrebatado de modo que não experimento a morte, e já não foi encontrado, porque Deus o havia arrebatado, pois antes de ser arrebatado recebeu testemunho de que tinha agradado a Deus”. –Hebreus 11.05.

Satanás procurou Enoque para a tentação de cada dia. Ah! Ah! Ah! Não mais o achou. E o adversário saiu furioso resmungando: “Deus aprontou mais uma das suas”. Deus não apronta, Deus faz acontecer.

Talvez a história de Enoque seja a sua. Se for, Prepare-se! Porque, no momento devido e preciso seu livramento vai chegar.

 

Amauri Galvão - www.palavraquefunciona.com

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