O relacionamento que faz a diferença

Mensagem indicada para aqueles que ora enfrentam revezes e confrontos das ondas do mar bravio e feroz que é o mundo com suas atividades, a carne com suas paixões e o diabo com suas doutrinas de demônios, o texto de Malaquias 3:18 que declara: “Então vocês verão outra vez a diferença entre o justo e o injusto; entre o que serve a Deus e o que não o serve...”, é para os dias atuais, para a igreja, para homens e mulheres de todas as idades e graus de vivência, experimentados na carreira que está proposta, a vida de fé.

Não são poucos aqueles que suplicam a Deus para que levante pessoas que façam diferença, jovens que ousem se destacar, não por seus dotes naturais, nível de inteligência seja ela qual for ou porque possui certa estabilidade financeira, de maneira nenhuma, mas, destacar-se no quebrantamento de si próprio, na humildade, na fome e sede de Deus, e somente de Deus; pessoas que abracem a própria cruz espelhada na Cruz de Cristo.

Muitos deixaram marcas no tempo e nome na história, não suas próprias marcas, mas, as que eles como cristãos não se envergonhavam de levar: as marcas de Cristo.

Hoje, estamos convictos que na maioria das igrejas cristãs, nas reuniões de oração, há sempre alguém impelido pelo Espírito Santo suplicando: “Deus meu, Deus meu, levanta moços e moças inconformados com a presente situação, com esse sistema atual de coisas, pessoas diferenciadas”.

Já ouvi muitas dessas orações feitas por pessoas de cabelos brancos, gente que sabe que, se não pedir, não acontece. Assim, pedem, pedem e pedem para que aconteça, e, Graças a Deus acontece.

Quem faz a diferença é aquele que possui dentro de si o inconformismo, este faz a diferença já, agora, no momento presente. Você perguntaria: O que quer dizer diferença, o que é a diferença?

Diferença é aquilo que não é parecido, não é igual, não é cópia, o que é de sentido oposto. Diferença é desigualdade, é inconformismo, divergente, desarmônico, aquilo que distingue ou torna desiguais as coisas ou pessoas tomadas em comparação, como Paulo o apóstolo mesmo escreveu: “Não vos conformeis...”.

Daniel, o profeta apocalíptico do Antigo Testamento, conta-nos a história de três jovens que se rebelaram com certa ordem emitida pelo rei da época, e por isso, sofreram as conseqüências das escolhas que fizeram, e para tanto, “foram amarrados, vestidos com seus mantos, suas túnicas, seus turbantes e demais roupas, e foram lançados na fornalha de fogo ardente. A ordem do rei era tão urgente e a fornalha estava tão quente, que a chama de fogo matou os homens que carregaram Sadraque, Mesaque e Abednego. Estes três caíram amarrados dentro da fornalha de fogo ardente.”.

A maioria conhece bem a história dos três jovens cativos do rei Nabucodonosor, na Babilônia. Essa história se estende na Bíblia por todo capítulo 3 do livro de Daniel, onde sabemos que:

01 - A exigência real era que, de joelhos, todos adorassem a estátua feita pelo rei. Isto nos faz lembrar a proposta do diabo para Jesus quando aquele disse: “...dou a você todos os reinos da terra se, prostrado, me adorar”.

02 – Quem não adorasse a estátua sofreria a pena capital: morte.

03 – O tipo da execução era ser jogado na fornalha de fogo ardente e morrer queimado.

04 – Os três jovens judeus, e somente os três, permaneceram em pé, determinados, impassíveis, no momento quando a adoração da estátua acontecia. Todos os demais, homens, mulheres e crianças ajoelharam-se em ato de adoração à estátua estabelecida.

05 – Os três jovens, portanto, foram alvos da pena prescrita: morte na fogueira.

Esses jovens foram a exceção que quebrou a regra da intimidação na sua geração. Aí está a diferença que eles próprios, pela fé em Deus, provocaram. Chamo a isso de Diferença Provocada.

Os demais que ali estavam, sábios, entendidos, doutores, senhores da ciência, lindas jovens e respeitáveis famílias permaneceram servilmente de joelhos dobrados para livrarem suas pobres vidas, ou como diz o ditado: salvando as suas peles. Esses mesmos se opuseram aos três rapazes aconselhando-os a que se ajoelhassem também. Certamente, seus amigos diziam: “Não sejam tolos, parem de bobeira, o que custa se ajoelharem por um momento somente!? Poupem suas dinâmicas e produtivas vidas.”.

No entanto, os três permaneciam, “como vendo o invisível”, indiferentes à turba insolente. Para esses jovens interessava Deus, alimentavam-se de Deus, respiravam Deus, estavam mergulhados em Deus, distantes da conformidade da maioria que formava a multidão, mas perto do coração Divino. Aleluia!

Provocaram a diferença e o fizeram de comum acordo e voluntariamente. Quando se é voluntário determinado, definido, consciente de onde veio, o que faz aqui, a quem pertence e para onde vai, existe a diferença.

Até aquele momento fatídico os três jovens trabalhavam e estudavam. A rede social deles constava de muitos amigos em vários ambientes, pois Babilônia era uma megalópoles próspera e dinâmica. Em nada diferiam dos demais quanto aos seus hábitos e responsabilidades no tocante à vida diária babilônica.

Mas - e esta conjunção da língua portuguesa faz toda a diferença - havia algo inerente neles, uma diferença que não era exterior, exposta, como exibida numa vitrine para todos apreciarem. Não era natural, física, palpável, e que não se podia notar somente com os olhos. Não! A diferença residia no interior, no recôndito do coração, no âmago da alma, no Santo dos Santos do espírito de cada um.

Do povo, diferiam interiormente. Eram diferentes no caráter, na essência da fé e interiormente transformados, espiritualmente fortalecidos. E quando existe essa transformação interna tal pessoa é como uma bomba relógio, cronometrada para explodir essa diferença no momento exato requerido, isto é: chegado o momento de manifestar testemunho que crê em Deus, sustenta esse testemunho em pé, sem vacilo. Isso é provocar a diferença. E os outros que acompanham a multidão e convivem com tais heróis da fé, conhecerão que Deus, mais do que nunca, reina. Glórias a Deus.

Bem! Aí está a diferença provocada. Agora veremos rapidamente a diferença notada ou vista, aquela que se assiste de camarote.

Lemos no mesmo capítulo 3 do livro de Daniel que “... a chama de fogo matou os homens que carregavam Sadraque, Mesaque e Abednego”, ou seja, quando esses carregadores e lançadores profissionais de homens santos em fornalha se aproximaram do fogo para jogar os três moços, simplesmente morreram no local, pela ação do calor intenso da fornalha.

Guarde bem isso no fundo do seu coração notando a diferença, sentindo a diferença. Os grandalhões aproximaram-se do terrível fogo ardente e não tiveram sequer tempo para voltar ao lugar de origem. Jogaram os três jovens na fornalha, e, pelo calor intenso dela, os homens do rei foram ali mesmo fulminados, mortos pelo fogo no mesmo instante da aproximação, incinerados vivos. No entanto, os três intrépidos valentes adentraram aquele fogaréu imenso e no meio das brasas incandescentes permaneceram ilesos e ainda mais livres do que estavam, pois as cordas que os prendiam queimaram.

Então o rei cautelosamente e de uma distância segura, aproxima-se. Lança um olhar para a muralha de fogo na esperança de encontrar 3 montes de restos carbonizados. Engana-se redondamente. Ao invés de 3 o rei vê que há 4. Quatro jovens muito bem dispostos e aquele que foi incluído, apareceu do nada, diz o rei, tem uma semelhança interessante, “é parecido com um filho dos deuses.” Exatamente, não só se parece como é o Filho único e bendito de Deus, Jesus Cristo nosso Senhor.

A diferença foi notada, vista e assegurada no calor do fogo da fornalha.

Em primeiro lugar, há uma diferença entre homens do rei e homens de Deus. Aqueles não suportaram a voracidade das chamas ardentes; estes entraram no fogo, passearam entre as chamas que crepitavam e bateram um bom papo com o quarto homem que se juntou a eles, o companheiro nas tribulações. Parecia que o mundo estava acabando e caindo sobre suas cabeças, mas, quer saber de uma coisa, eles não estavam nem aí! Temos muito para conversar, então conversemos, diziam eles. Glórias a Deus...

Aí está a diferença que você precisa apreender e guardar: há lutas, perseguições e provas em sua vida, porém você não está lançado à própria sorte, acima de tudo você é alguém que Deus escolheu e Deus fará que tudo concorra para o seu bem. Até o mal provocado transforma-se num bem inesperado, assim como o veneno da serpente é neutralizado pelo próprio veneno. Deus não se faz de esquecido, pois Ele mesmo disse que estaria conosco todos os dias, sejam eles quais forem. Portanto, não importa o dia ou como esse dia se apresenta, importa-nos é que Deus está presente, e onde Deus está presente aí é nossa morada e o lugar onde reside a nossa paz. A promessa é que “onde Eu (Jesus) estiver eles (nós) estejam comigo”. Esse é o desejo de Deus: sempre juntos com Ele, apegados a Ele, grudados nEle, inseparáveis. Mas, hoje estamos aqui na terra e Ele não deixa por menos, está conosco.

Suporte o que vier. Se cair, a promessa é que você não ficará prostrado, levante-se, pois em menos ou mais tempo você vai ter de se colocar na marcha e continuar, sabendo que não é aqui o descanso, pois, sem qualquer dúvida, nada aqui deixará você descansar verdadeiramente. Mantenha a cabeça erguida tendo em vista que a redenção está próxima. Se necessitar chorar, chore com gosto, mas não lamente. Evite perguntar: “por que isso Senhor? Você talvez não saiba e no momento não obtenha a resposta, mas Ele sabe e você saberá mais tarde, reunirá os amigos e parentes e contará as aventuras da sua caminhada de fé sabendo que Deus estava presente no passado, está presente no presente, no agora, já.

De quantas coisas, situações, circunstâncias você já saiu e no momento que por elas transitava pensava você que não sairia vivo delas. Pois, é! Aí está você contando as peripécias da caminhada, forte, firme, alegre, com muita vida e bastante esperança para continuar a jornada. Doeu no momento? Certamente que sim. Chorou? Talvez. Sentiu-se como o último da última fila da existência? Com os dias contados? Sem escape? Você escapou e escapará sempre, pois o que vive para sempre sempre viverá para você, e somente para você.

Há, em você que crê, e mantém o testemunho sustentado pela Graça de Deus, um poder sustentado pela fraqueza. Soa como um paradoxo – contrário ao senso comum. É estranho, mas é isso: poder sustentado e mantido pela fraqueza. Apóstolo Paulo aprendeu esse conceito quando ouviu Deus responder sua oração insistente, nos seguintes termos: “A minha Graça te é suficiente, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza.” Frente a essa didática revelação Paulo chegou ao entendimento de que, em assim sendo, e diante disso, indiscutivelmente, “quando sou fraco, então é que sou forte”, e, se a minha fraqueza alimenta minha fortaleza, então vou ser mais enfático dizendo que “tudo posso naquele que me fortalece”. Mas Ele só me fortalece quando não há mais força em mim. Minhas forças, portanto, para nada são úteis, a não ser para impedir que “o poder de Cristo repouse sobre mim”. “Por isso, de muito boa vontade me gloriarei nas minhas fraquezas”. II Coríntios 12: 09,10

Fraquezas, quem não as têm? Mas a fraqueza, a debilidade que aqui está expressa é muito mais profunda. É uma fraqueza que leva você, não a perder, mas entregar o controle das coisas. Somos controladores por natureza e estamos sempre com desejo intenso de controlar muitas vezes o que não tem controle ou foge do nosso controle. O que eu quero controlar é exatamente aquilo de que eu devo abrir mão, pois se tento manter tal controle, quem vai sair do controle sou eu. Portanto, descontrolado também me torno inútil. Assim, não querendo manter o controle e muito menos chegar ao nível do descontrole, eu abro mão dessa tirania que espanta o poder de Cristo sobre mim e entrego o controle de minha vida e tudo que se refere a mim àquele que é Senhor do destino (destino no sentido de Ele saber o que é melhor para cada um de nós, nada relacionado ao fatalismo).

No lugar de me desesperar por algo que espero e que certamente não tem resposta, ou resposta há, mas não da maneira que minhas expectativas almejavam, contento-me, posso ser feliz nas fraquezas, nas ofensas, nas dificuldades, nas perseguições, nas angústias, por causa de Cristo. E é justamente nessa sentença “por causa de Cristo” onde reside toda a causa do meu contentamento. “contento-me... por causa de Cristo”. Portanto, o meu contentamento, o meu contentar-se, o meu equilíbrio em meio às circunstâncias adversas não vem de mim, não encontra em mim a sua fonte. Necessito buscar em algo ou em alguém, e esse alguém é Cristo. Essa é a fonte de onde sai toda minha fortaleza, todo meu poder. O segredo do meu contentamento tem uma causa, e a causa é Cristo. É por causa de Cristo, Ele é o responsável direto pelas minhas atitudes frente às circunstâncias.

Assim, não mais vivo eu, mas Cristo vive em mim, e a vida que agora vivo, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou e se entregou a si mesmo por mim. Ele está no controle, desisti de mim para ganhar a Cristo; por causa dele, só por essa causa.

Em segundo lugar, o rei notou outra vez a diferença. Olhou através das labaredas e viu os 4 jovens, que antes eram 3, passeando dentro daquele pequeno inferno de chamas. Indignado o rei indaga de si para si: “Por que não queimam, que segredo é esse? E continuam lá dentro e não saem? Por que não suplicam para resgatá-los? É tudo muito estranho...”

O rei chamou dizendo: "saiam daí venham para fora", e eles sairam como se nada tivesse acontecido.

Eis aí os que fazem a diferença. Não se apressam, nem se desesperam mesmo nas maiores provações, ao contrário, passeiam dentro da fornalha, isto é, fazem das provações, não uma prisão de encarceramento onde se encolhem e emudecem na oração, nas canções, contribuições e nos testemunhos, mas, um lugar onde passeiam e dialogam com Deus dentro do próprio momento de prova.

As provas são um percurso onde Deus e eu, caminhando juntos, nos conhecemos melhor. Eis um dos verdadeiros significados da frase “... andou com Deus”. “Então vocês verão outra vez a diferença entre o justo e o injusto; entre o que serve a Deus e o que não o serve.”.

Referências Bíblicas: Malaquias 3:17,18 – Daniel Capítulo 03 - Lucas 9:23 – Gálatas 6:14-17 – Lucas 1;09-13 – Lucas 10:02 – Romanos 12: 01, 02 – Mateus 04:09 – Hebreus 11:27 – Apocalipse 19:06 – Romanos 08:28 – Mateus 28:20 – João 7:24 – Salmo 37:24 – Miquéias 02:10 – Gálatas 02:20 – Filipenses 03:08 – Deuteronômio 08:02 - Gênesis 05:22-24.

Autor: Amauri Galvão
Site: http://www.palavraquefunciona.com

 

 

Procurar no site

Foto utilizada com a permissão da Creative Commons enki22, broo_am, broo_am  © 2009 Amauri Galvão - Todos os direitos reservados.