Deus disse o que quis dizer

Estamos vivenciando o momento das revoluções ambientadas na área do conhecimento, do social, da era tecnológica, espacial e nuclear. Nada é como antes, quer queira, quer não. Nada é como antigamente. Eis a realidade. As pessoas seguem seu caminho, os costumes sofrem alterações, e, como dizem os economistas: “a ciranda continua”.

No cotidiano verificamos o aumento do número dos que se dizem cristãos. Mas, para que alguém realmente torne-se cristão necessário é que receba a Jesus Cristo como Senhor de sua vida. O que não O reconhece como tal, não é cristão. Pode até ser muito parecido; mas, na realidade não o é. A aparência poderá testemunhar; mas a essência irá negar. Reconhecer a Jesus Cristo como Senhor é uma característica imprescindível que não pode estar ausente na identificação de um cristão. E por que é assim? Porque o Espírito Santo, a Pessoa e o poder operante do Reino de Deus, só vem morar em alguém quando esse alguém faz de Cristo Jesus, o seu Rei. A marca distintiva de um cristão, portanto, é ser a morada do Espírito Santo, conforme escreveu Paulo na sua carta aos Romanos, capítulo 08, verso 09, parte b: “Se alguém não tem o Espírito de Cristo, esse tal não e dele”. Ou seja, esse tal não é cristão. Assim, concordamos com o poeta inglês Shekeaspeare em seu enunciado: “ser ou não ser, eis a questão”. Você é ou não é um cristão? Você tem ou não tem o Espírito Santo de Deus fazendo morada em sua vida, coordenando seus movimentos, esclarecendo a razão de sua existência e a chamada de Deus para uma viva esperança?

Que o cristão assuma de vez a posição de filho do Pai Celeste. Não mais é preciso ficar assentado no chão do desânimo, os lugares celestiais é o seu lugar. E isto, não pense o afoito, que é mera presunção. Apóstolo Paulo explicita-nos que Deus “nos tirou da postestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor” e que “juntamente com Cristo nos ressuscitou e nos fez assentar nos lugares celestiais em Cristo Jesus” (Colossences 1:13 e Efésios 2:06). Está claro que isto eu aceito pela fé, ou seja, acredito naquilo que Deus diz que fez por mim.

Hoje, é pela fé que aceito minha posição em Cristo Jesus, pois tudo isso é a projeção, o ensaio do que, brevemente, irá acontecer com os cristãos, literalmente, no tempo, no espaço e na história. Se a Bíblia diz que estou assentado nos lugares celestiais em Cristo, eu creio e pronto. Ali reside minha vida espiritual. Lá estou assentado, aqui estou de joelhos. Lá estou assentado em Cristo Jesus, descansando e usufruindo a vitória, aqui estou de joelhos aos pés do Mestre, resistindo à contrariedade, impondo a mesma vitória que, lá, é minha. É aí que entra a dinâmica do cristão vencedor, daquele que deseja a vontade de Deus e o estabelecimento do Seu Reino. Isto é uma bofetada na cara do diabo. Este, com a sua rebelião contra Deus, pretendia demonstrar que a criatura, detentora da sua livre vontade para escolher, não concordaria com a vontade de Deus, o Criador, e imporia sua própria vontade, seu próprio plano de existência, sua maneira peculiar de ver as coisas. Vivendo por si só e para si somente, tentando alcançar a satisfação em si mesma. A criatura que foi criada para uma finalidade: “para glória de Deus”, tentando ser a finalidade: “para glória de si mesma”. Estava redondamente enganado. Errou com a tentativa de impor seu modo de pensar equivocado, evidenciado na rebelião.

O rebelde foi destituído de seu lugar, e com ele, todos aqueles que confirmaram o seu errôneo ponto de vista. Estes, através da história, são conhecidos como Lúcifer e seus anjos caídos.

Então, para o cenário, Deus traz o homem.

Sendo uma combinação de material com o espiritual, o homem foi criado do pó da terra e também é portador do sopro divino que o tornou “alma vivente”. Tem um corpo físico, matéria, palpável, visível e, ao mesmo tempo é um espírito, essência invisível e eterna e, também uma alma, centro de todas as suas decisões, vontades e sentimentos. Pensa e age por si mesma. O homem integral, como Deus o criou, haáde ter os três requisitos juntos e atuantes: espírito, alma e corpo. Homem não é anjo. Homem não é só espírito. Homem não é só alma. Homem não é só matéria, corpo. Homem é o conjunto de tudo isso: corpo, alma e espírito. Por isso ele é considerado a “... a imagem e glória de Deus...” I Coríntios 11:07.

Lamentavelmente o homem, num momento de infortúnio e ato de desobediência, caiu.

A carta de Paulo aos Efésios revela que Deus criou o homem com uma finalidade específica, ou seja: “a fim de sermos para louvor da Sua Glória”. Esta é a vontade de Deus. Este é o desejo Divino. O homem foi criado para louvor da Glória de Deus, feito para louvá-Lo. Louvar Sua grandeza, glorificá-Lo e testemunhar dessa glória. Representante tanto das coisas que estão no céu - o espiritual - quanto das que estão na terra - o material, visível - e possuidor da autoridade para sujeitar; levou tudo a perder quando foi convencido, enganado, lá no Jardim do Éden, de que o que Deus disse não era aquilo que Ele queria dizer. Assim, surgiu a primeira distorção daquilo que Deus disse: “não morrerás”.

Naquele momento, com a queda do homem e olhando superficialmente, parece que o diabo estava com a razão quando projetou a impressão de que ninguém optou em ser para “louvor da Sua Glória”. No primeiro momento a aparência era que o plano de Deus estava completamente arruinado, sem recuperação. O diabo e os anjos caídos banqueteavam e faziam uma algazarra infernal; pois, tinham mais um aliado para frustrar o plano divino. E este aliado era o homem.

Lançando mão do direito de imaginarmos a situação, sem sermos exagerados no quadro, parece que vemos a equipe infernal e rebelde, reunida no seu encontro convencional, a todo vapor. Uns diziam: “o homem não deu nem para o começo”. Outros gritavam: “Deus é a personalidade mais frustrada do universo”. E, outros ainda, em seus aspectos demoníacos, exalando um odor mesclado de enxofre e chumbo ascos, discutiam: “pois bem, provamos que a criatura pode ser tão melhor quanto seu criador. Tudo o que Deus faz põe a perder. Por mais que tornemos o homem uma criatura miserável, pobre, cega e nu, ele prefere a nós que a Deus...”. E ouvia-se o ribombar das gorgolejantes gargalhadas demoníacas a ecoar em todo aquele recinto tenebroso.

Em meio a todo este eufórico entusiasmo sinistro, eis que surge das sombras um demônio, um leva-e-traz recados, trazendo na mão, em forma de bilhete, uma mensagem urgentíssima para ser entregue ao chefe do ajuntamento diabólico. Os presentes, ofegantes, recepcionaram o “ser propaganda”. Pensavam eles que era outra notícia de mais um triunfo nesta revolução, o que não era mais novidade. Porém, quando o demônio maior teve ciência do conteúdo do recado, levantou as sinistras e pontiagudas sobrancelhas exigindo silêncio total no recinto, para transmitir o sucedido. Enquanto ele comunicava a notícia para seus súditos, um temor e terror crescente começaram a tomar conta de todos. Orelhas se levantavam. Pernas estremeciam. Narizes ofegavam pesada respiração acre. Um grito geral de pânico tomou conta do local. Podia-se ver demônios de todo tipo e tamanho fugindo desesperados, em todas as direções.

O que tinha de tão assombroso naquele invólucro, que a todos meteu medo? Eis o que estava escrito: “Em Jerusalém, no alto de um monte, cravado numa cruz está um Homem por nome Jesus que, ao morrer, disse as seguintes palavras: “Está consumado”! Depois disto, soltando um forte grito, exclamou: “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito”, e expirou. Estamos perdidos. Alguém optou pela vontade de Deus e obedeceu até ao tipo de morte, a morte de cruz. Notem! Esse Homem chamou a Deus de Pai. Então é o Seu próprio Filho!!! E, há um poder insuportável em cada gota de sangue que está escorrendo sobre a cruz e caindo ao solo. É um sangue diferente, que clama, grita por justiça”.

Este era o conteúdo da missiva. Foi motivo do terror implantado no reino das trevas. Jesus, Homem, escolheu a vontade de Deus. Cumpriu-a para o “louvor da Glória de Deus”. Jesus morreu a morte do homem. Tomou a culpa deste como se fosse Ele o culpado. Carregou todos os pecados como se fosse Ele o transgressor.

O Homem Jesus, na Sua morte, selou a condenação de toda rebeldia em todos os parâmetros e dimensões da existência. Jesus integra a todos para o que todos foram feitos: “Para o louvor da sua Glória”! Deus sempre disse o que quis dizer.

A humanidade não deve esquecer que ela não é a finalidade em si mesmo. Ela tem uma finalidade para existir; mas, não é a própria finalidade. A humanidade é o meio por onde deve fluir a Glória de Deus, pois fomos criados para “louvor da Sua Glória”.

Amauri Galvão

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