Continuidade do processo permanente

Numa dessas noites de domingo estavamos participando da celebração quando, em determinado momento, e dada a oportunidade, levantou-se um jovem evangelista ordenado e, em espírito reverente com o coração cheio de gratidão louvou a Deus por ser a pessoa que é, como também por exercer o ministério do qual Deus o investiu. Na seqüência, olhou para os demais ministros que estavam assentados na tribuna e disse: "Quero agradecer também a uma pessoa muito querida que está presente, um homem de Deus que acreditou no ministério de Deus para minha vida. Naquele tempo, essa pessoa deu-me todas as oportunidades necessárias, apoiou-me em todos os momentos, e, se estou aqui desenvolvendo meu ministério foi porque esse amado irmão Pastor (......) acreditou em mim."

Não vou negar que tal declaração emocionou-me e o pensamento buscou imediatamente, nas páginas das escrituras sagradas, um nome que é sinônimo de "portas abertas", "visão de potencial" e "oportunidade". Barnabé é esse nome, cujo significado na nossa língua portuguesa quer dizer: Filho da exortação ou Filho da consolação.

Barnabé era o nome pelo qual os apóstolos o chamavam; o nome de nascimento desse homem, na realidade, era José. Participante ativo, estava inserido no quadro de apóstolos, profetas e mestres da igreja na cidade por nome Antioquia.

Naquela época, alguém chamado Saulo de Tarso (ou seja, natural da cidade de Tarso) aterrorizava as comunidades cristãs, até o dia que, no percurso da estrada de Jerusalém para Damasco, Saulo teve um encontro crucial com Nosso Senhor Jesus Cristo ressuscitado. A partir desse momento, o perigoso homem inimigo dos discípulos de Cristo, converteu-se naquele que conhecemos como Paulo de Tarso.

De repente, a noticia é liberada por toda aquela região: "AQUELE QUE PERSEGUIA AGORA É TAMBÉM UM CRISTÃO".

Bem! A questão ficou delicada. Como introduzir um ex-perseguidor de cristãos no meio da comunidade? Muitos argumentavam que "Paulo de Tarso" estava apenas mascarando uma situação, fazendo-se passar por um dos que pertenciam à fé cristã, visando espiar seus membros para, mais tarde, localizando cada um dos seguidores de Cristo, exterminá-los.

Como acreditar? Em que se firmar para dar voto de confiança? Um certo modelo de cuidado, visando precaver incidentes, instalou-se entre os irmãos. Paulo testemunhava declaradamente que viu o Senhor da Glória ressuscitado. O problema é que, no momento do acontecido na estrada Jerusalém-Damasco, somente Saulo e mais ninguém viu o Senhor Jesus para confirmar testemunhando a favor do, agora, irmão Paulo. No entanto, Paulo sabia o que tinha visto e o que tinha ouvido, não importando as opiniões de terceiros. Seu testemunho era muito forte, porém encontrava barreiras causadas pelo temor demonstrado pelos demais. Quem daria uma oportunidade àquele potencial manifestado? Quem estenderia a mão para abrir a porta? Eis um homem que passou por uma estupenda mudança, divinamente chamado e com um testemunho impactante. Novo, recente no quadro de membros da igreja, mas de posse de uma revelação específica: "EU VÍ O SENHOR E ELE FALOU COMIGO".

Justamente aí é que aparece o irmão "Portas Abertas; o homem "Visão de Potencial"; o companheiro que propicia oportunidades; o profeta e mestre, pois, "...quando Saulo chegou a Jerusalém, procurava ajuntar-se aos discípulos, mas todos o temiam, não crendo que fosse discípulo. Então Barnabé, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira ao Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus. E andava com eles em Jerusalém, entrando e saindo."

A história de Barnabé não se detém aqui. Paulo, depois de algum tempo entre os irmãos, volta para Tarso, lugar onde nasceu. Lá, isola-se. Decorrido anos, estava como que esquecido entre os cristãos. A igreja crescia, o cristianismo estava em plena expansão. Alguém se lembrou de alguém. Barnabé foi enviado à cidade de Antioquia e "tendo ele chegado e, vendo a graça de Deus, alegrou-se e exortava a todos a que, com firmeza de coração, permanecessem no Senhor. Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor. E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia...", e então, tomando-o consigo, o trouxe aos apóstolos, e lhes contou como no caminho ele vira o Senhor e lhe falara, e como em Damasco falara ousadamente no nome de Jesus...." Atos 09:26 a 28e 11:22 a 25.

Hoje, todos conhecemos as Escrituras Paulinas. Não nos esqueçamos, porém, que na frente desse homem chamado Paulo , abrindo-lhe caminho para o ministério, existiu o "pioneiro" Barnabé.

Lembro-me de uma pequena e intrigante história.

Dizem que, numa cidade não pequena, faleceu o senhor João Importante Sóeu. Já, no cemitério, no momento da última homenagem, um excelente orador abriu a prédica elogiando os feitos e desfeitos de tal homem. Determinado momento do discurso, o orador, alçando a voz para enfatizar o que iria falar, sabe-se lá das razões que o motivaram, assim se expressou: “O homem que agora desce, foi o que subiu muito alto. Este que agora, inerte, deitado está, foi o que viveu, na maioria de suas horas, em plena atividade, e, não devemos nunca nos esquecer, e este é um ponto importante, que agora será possível grama nascer perto dele, pois, quando ainda vivo, nada ao seu redor conseguiu crescer.”

É uma situação para avaliarmos por que meio e como estamos crescendo, e, se conosco há alguém em constante crecimento. Estamos crescendo e envolvendo os demais num processo de amadurecimento e graça na presença de Deus e dos homens, ou tendo a impressão de crescimento porque "plataformizamos" os que estão ao nosso redor, fazendo das dores e fraquezas desses os degraus pelos quais vamos subindo. Como é salutar lembrar as palavras do profeta Isaías "A cana trilhada não quebrará, nem apagará o pavio que fumega".

Não deixemos o inimigo, que causa cegueira espiritual, roubar nossa visão das obras de Deus. Quantos talentos, quantas vidas poderiam brilhar, mas estão apagadas, sem expressão, devido à atuação do “senhor Importante Sóeu”. Somente aquele dia revelará o dano provocado. No entanto, para o choro do profeta quando lamentava dizendo: "só eu fiquei e procuram para tirar-me vida", Deus tem uma resposta enfática: "Tenho reservado para Mim 7000 que disseram "não". É uma nota de consolo. Sempre existirão "Barnabés".

Expus o que acima está para, simplesmente, fazer a seguinte oração:

"Amado Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, levanta homens tal qual Barnabé: "...homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé...". Homens, sejam eles de qualquer faixa etária, mas que abram portas e oportunidades para nossa geração jovem, pois jovens há que estão recebendo verdadeiras revelações de Deus, profundos na Palavra Bíblica e com o coração inundado de amor pela causa do evangelho. Que aprendamos que somos tal qual a lua, cadenciados por fases, e que essas passam para dar oportunidade a novas fases, num processo de renovação contínua e compassada. Nossa fase passa. Que não sejamos egoístas pensando que, por termos um mínimo mais de conhecimento e experiência, somos os detentores exclusivos do direito de profetizar, ou, que, como Saul pensava de Davi, venhamos a julgar que se trata apenas de "... Um menino somente, um pequeno rapaz sem experiência nas guerras..." e não percebamos que ali, justamente ali, haja potencial para fazer diferença. DAVI, COM APENAS 16 ANOS MUDOU O MOMENTO HISTÓRICO DE ISRAEL, DERROTANDO GOLIAS e contrariando todas as expectativas pessimistas sobre a sua pessoa. Não esquecendo, também, da história de C.H. Spurgeon, que, contando com apenas 15 anos de idade tornou-se ministro ordenado, marcando uma geração com sua mensagem e ficou conhecido como o Príncipe dos pregadores. Que não venhamos bloquear chamadas ministeriais por excesso de prudência ou relaxar por falta dela, não perdendo a continuidade da visão que um dia recebemos, pois é para os jovens a promessa de "NOVAS VISÕES". Não necessariamente jovens biológicos, mas de mente e coração, sempre em constante aprendizado, nestes últimos dias, conforme Joel 2:28. Em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, pelo Espírito Eterno, receba meu pedido e agradecimento. Amém."

Amauri Galvão www.palavraquefunciona.com

 

Amauri Galvão

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