Deus quer, você quer?

 

Preocupa-nos o teor de algumas ministrações. No derramar destas poucas palavras, apenas uma simples e rude reflexão sobre as circunstâncias em que essas audições se realizam.

 

Quando somos convidados para fazer uma prédica em qualquer ambiente visando elucidar algum assunto na qualidade de Ministros do Evangelho, necessitamos, basicamente, conhecer os prós e contras, a circunstância, o momento, o contexto, a cultura, o tempo e as fronteiras que demarcam limites doutrinários. Isto se aplica, em toda sua forma, quando buscamos compreender qualquer ensinamento bíblico ou expor, coerentemente, esse mesmo conjunto de conhecimentos.

 

Sob a égide de “Povo Pentecostal” que crê nas Escrituras como a infalível Palavra de Deus, nosso povo segue jornada pautando seu dia-a-dia pela fé, ou seja, por aquilo que crê. É justamente aí que focamos nossa atenção: POR AQUILO QUE NOSSO POVO CRÊ.

 

Por que do proposto acima? Para contar uma extraordinária história bíblica onde podemos aprender princípios de fé que tornarão nosso viver bem melhor.

 

A passagem memorável e extremamente significante para a fé está registrada no livro do evangelista Mateus capítulo 15, versículos 21 a 28. Marcos também fez questão de registrar o acontecimento em seu evangelho, capítulo 07, versículos 24 a 30. Ali, o escritor Mateus narra o encontro inusitado de Jesus com uma mulher cananéia e  Marcos esclarece que a mulher era pagã, de origem siro-fenícia.

A narrativa conta-nos que uma mulher cananéia, (pagã, de origem siro-fenícia.) provinda daquelas cercanias, clamava, dizendo: Senhor, Filho de Davi, tem compaixão de mim, que minha filha está horrivelmente endemoninhada. Contudo Jesus não lhe respondeu palavra. Chegando-se, pois, a ele os seus discípulos, rogavam-lhe, dizendo: Despede-a, porque vem clamando atrás de nós. Respondeu-lhes ele: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel. Então veio ela e, adorando-o, disse: Senhor, socorre-me. Ele, porém, respondeu: Não é bom tomar o pão dos filhos e lançá-lo aos cachorrinhos. Ao que ela disse: Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos. Então respondeu Jesus, e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé! seja-te feito como queres. E desde aquela hora sua filha ficou sã.

Notamos que a mulher dessa história, nem nome tem; é conhecida simplesmente como uma mulher, pagã, de origem siro-fenícia. Mostrar a origem, e não identificá-la pelo nome, era o objetivo dos autores dessas narrativas. 

Não pertencendo à classe judaica e sem qualquer direito a reclamar, essa mulher não fazia parte do povo da promessa. Resumindo: ninguém prometeu nada a ela; separada da comunidade de Israel e estranha aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo. Devido a isso, conclui-se que era uma excluída daquilo que podemos chamar de “o círculo da fé” da época.

Mas, ouvindo sobre Jesus, a pagã, de origem siro-fenícia, colocou a “boca no mundo”. Interessante notar que a gritaria dessa mulher, no primeiro momento, não cativou a atenção de nosso Senhor Jesus Cristo. Este, como se nada acontecesse, não lhe respondeu palavra.

A “pagã” voltou a gritar com tal intensidade que incomodou até os discípulos, a ponto de estes intervirem junto ao Mestre solicitando o “cala a boca da mulher”. A estranha resposta foi imediata: Não fui enviado senão às ovelhas perdidas da casa de Israel.

Ela insistiu: Senhor socorre-me!
Jesus respondeu:
Não é bom...
A mulher torna a insistir:
Sim, Senhor, mas...
Então Jesus, enfim, respondeu e disse-lhe: Ó mulher, grande é a tua fé!

Notemos as palavras da mulher:

1- Senhor, Tem compaixão de mim!
2-
Senhor, socorre-me!
3- Sim, Senhor, mas...

Aqui, ficamos pensando: o que aconteceria se essa mulher freqüentasse algum tipo de reunião onde palestrantes que confundem mais que esclarecem, destituidos de qualquer parâmetro, discorrem sobre verdades bíblicas? Pois não usam fronteiras distintas entre os ensinamentos apresentados nas Escrituras. Confundem Soberania Divina com delegação de autoridade espiritual, onde esta é uma conseqüência daquela. Quanto a tais e outras questões relacionadas não é sem razão que o apóstolo Paulo deixou transparecer preocupação quando disse a Timóteo que: Toda a Escritura é inspirada por Deus, e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para formar na justiça. Por ela, o homem de Deus se torna perfeito, capacitado para toda boa obra.

Esclarecemos que para ser homem de Deus não se exige aperfeiçoamento tampouco capacidade. Entretanto, o homem de Deus tem o dever, ainda mais, a obrigação de se tornar perfeito (aperfeiçoar-se), capacitado para toda boa obra. Somente os sagrados escritos detém o poder de aperfeiçoar, capacitar para discernir e enfrentar o que der e vier, resultando sempre numa boa obra.

Esse é o processo: POR ELA (ou através dela, a escritura) o homem de Deus SE TORNA perfeito. O processo POR ELA...SE TORNA vai depender de cada homem de Deus em sua busca incansável pelo aperfeiçoamento, pois, SEM ELA (a escritura)...NÃO SE TORNA (perfeito, capacitado).

Voltemos à mulher, que além de grande observadora foi, podemos dizer, mestra na fé.

1- Observadora, porque estabeleceu sua plataforma de ação a partir do que viu. Notou que milagres aconteciam... não deixou por menos, buscou o seu.

2- Mestra na fé, porque nos dá uma verdadeira lição quanto à visão sobre o exercício da fé. Humilhada, ela buscou, revidou, insistiu, respondeu, rebateu, e, GLÓRIAS A DEUS! Alcançou!

Pensasse ela, só porque não obteve resposta na primeira investida, que Deus não a ouviu e que isso era a vontade de Deus revelada para ela; que continuasse daquela maneira, naquela situação, numa desgraça que dava dó.

Ficasse ela remoendo, na segunda investida, sobre a palavra que Jesus liberou e nada teria acontecido de bom, nem alcançado a cura de sua filha. No entanto, a busca foi frenética, obsessiva, não se contentando a não ser somente com a resposta. E solução como resposta.

Pessoas assim tornam-se companheiras de Deus. Enoque era um desses. Sua história pode ser conhecida no livro de Gênesis, o livro das origens. Davi, outro amado de Deus, que sem qualquer promessa específica quanto a derrubar gigantes, mas confiando somente na Palavra Daquele que diz: Eu estou convosco, não temas, enfrentou o brutamonte armado e perigoso. Ficasse Davi orando e esperando passivamente por uma revelação, dizendo - Deus pode fazer -, colocaria Israel a perigo. Mas, diferente disso, esse ‘pequeno grande’ pastor-guerreiro, conhecendo o Deus que servia, de mais nada precisava, somente entrar em ação em nome de seu Deus. Foi o que fez. Estava pronto para a circunstância.

Todos sabem que Deus pode fazer; poucos dizem: Deus fez e faz. A questão do “se Deus quiser”, encontrada em Tiago 04:15 é outro assunto inteiramente diverso.

Fosse, essa heroína da fé, que em todos os momentos usou a palavra Senhor, hoje em dia procurar conselho para sua busca, alguns diriam: - Olha! Esse negócio de insistir e insistir, deixa pra lá. Você está forçando Deus, forçando a barra, exercendo pressão sobre Ele. Está colocando Deus na parede e dizendo: Ou faz ou faz. Ele não vai gostar; poderá ficar ressentido. Meu ponto de vista é que você sente aí, sofre, reclame e lamente. Esse é seu destino, sua sorte, sua cruz. Penso que a vontade de Deus para você é essa. Você está no mato “caçando sem cachorro".

A vontade de Deus triunfa sempre, e é essa vontade que todos devemos ampla e ge-nu-i-na-men-te conhecer, e não apenas ficar fazendo suposições, pois, como já dizia um consagrado pregador, o maior inimigo do cristão é a falta de conhecimento da Palavra de Deus.  

Triste o fim dessa mulher tivesse ela ouvido tamanha discrepância. O diabo estaria, até o fim da vida dela e de sua filha, fazendo o que bem queria nessa família. Mas, glórias e graças a Deus, o seu pedido era um caminho sem volta que mudou sua história de vida.

Presente em corpo Jesus não está mais entre nós, no entanto nos deixou o Seu nome como expressão de autoridade maior em todo universo; pois escrito está que ao nome de Jesus se dobre todo joelho, nos céus, na terra e debaixo da terra, e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para glória de Deus Pai. Sempre e sempre para a glória de Deus Pai.

Deus nos colocou no campo de batalha e disponibilizou uma arma letal para resistir a fúria do inimigo. Não devemos nos esquecer que agimos dentro da esfera e nos domínios do Reino de Deus, e que, exercer autoridade em nome de Jesus é uma prerrogativa que Jesus mesmo delegou e insistiu em que fizéssemos uso de seu nome quando disse: E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se me pedirdes alguma coisa em meu nome, eu a farei. E estes sinais acompanharão aos que crerem: em meu nome expulsarão demônios; falarão novas línguas; pegarão em serpentes; e se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e estes serão curados. Ora, o Senhor, depois de lhes ter falado, foi recebido no céu, e assentou-se à direita de Deus. Sim, Ele foi recebido no céu, assentou-se à direita de Deus. Subiu, está no Trono.

Desejamos que o Pai seja glorificado no Filho? Só em nome de Jesus... Alguém pode tentar em seu próprio nome; terá os resultados que não espera.

A falta de compreensão do ensinamento da autoridade espiritual delegada através do nome de Jesus é que origina toda problemática. Ninguém em sã consciência irá “dar ordens a Deus”, como muitos apreciam afirmar. Se alguma ordem deve ser emitida, essa ordem deve ter alvo determinado, destino certo. Toda ordem, determinação ou exercício de autoridade delegada é direcionada diretamente ao problema, à causa, à enfermidade, à circunstância prejudicial, não a Deus. Trata-se diretamente com o problema em nome de Jesus. Isto é obedecer a Palavra e o mandamento de Cristo. Essa é a vontade de Deus. Aqueles que ainda estão na dúvida, e na dúvida dizem coisas que afetam negativamente a fé dos demais, necessitam reorientar sua visão.

Jesus sem reservas e didadicamente ensinou como deve ser feito: Em meu nome (vocês) expulsarão demônios. Em meu nome (vocês) falarão novas línguas (notemos que este não é um problema, nós é que complicamos o descomplicado). Em meu nome (vocês) pegarão em serpentes, e se beberem alguma coisa mortífera (involuntariamente, é claro), não lhes fará dano algum; e (vocês) colocarão as mãos (de vocês) sobre os enfermos, e estes serão curados. Poderia Jesus ser mais evidente, claro e prático?

Atos 3:6 é um estágio do cumprimento da ordem de nosso Senhor Jesus Cristo, quando conta-nos que Pedro, porém, lhe disse: Não possuo nem prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, anda! Neste acontecimento não vemos Pedro suplicando sobre o problema, ele simplesmente ordenou em nome de Jesus. Não deu ordem para Deus nem era essa a intenção. Expulsou a paralisia.

O livro dos Atos dos Apóstolos descreve que entre o povo não cristão, o nome mais detestado era o de Jesus Cristo, pois através desse nome as pessoas eram convertidas dos seus pecados, curadas, restauradas, libertas e enviadas para proclamarem as Novas do Reino de Deus. E a multidão crescia sempre.

É revelado em Atos 16:18 que num dado momento da viagem missíonária de Paulo determinada situação se repetia por muitos dias. Então, Paulo, já indignado, voltando-se, disse ao espírito: Em nome de Jesus Cristo, eu te mando: retira-te dela. E ele, (o espírito) na mesma hora, saiu. Paulo disse: Eu te mando. Não tem conversa. Mandou em nome de Jesus Cristo e o espírito saiu. Não devemos nos esquecer disto nunca mais.

Deus ama a pessoa ousada e corajosa, aquela que conversa com Ele, expõe a situação e diz: Deus, o Senhor é a solução! Creio na sua Palavra e vou agir com base nela. O Senhor disse que fez, e isto me basta: EU CREIO QUE FEZ E FAZ.

É nessa plataforma que todo crente deve se mover. Algumas vezes rotulamos Deus como mentiroso (misericórdia...). Como isso é possível acontecer? Simples. Deus disse que fez e não cremos que Ele fez ou, por falta de pleno conhecimento, dizemos que Ele não fez, e, ainda mais prejudicial, saimos por aí contaminando a fé e o modo de crer dos demais. O Espírito Santo deixou explícito que Aquele que crê no Filho de Deus tem em si o testemunho de Deus. Aquele que não crê em Deus, o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho.

A questão é séria. Aquele que não crê em Deus, o faz mentiroso, porque não crê no testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho. Qual é o testemunho que Deus dá de Seu Filho? Que testemunho é este? Qual o conteúdo deste testemunho? O que este testemunho quer dizer? Qual a finalidade deste testemunho? O que está implícito quanto a tudo a respeito de Seu Filho?

Temos de aprender novamente na integralidade o testemunho que Deus deu a respeito de seu Filho, ou nós nos tornaremos em simples tergiversadores e não ministrantes, palestrantes, ou pregadores no sentido que esses vocábulos querem expressar biblicamente. Importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo e despenseiros dos mistérios de Deus. Já paramos para pensar onde isso remete e o que significa?


Que mais podemos dizer dessa mulher “pagã”?

Uma coisa é possível declarar com toda certeza: Que muitos incertos só vão entender a atitude dessa mulher quando alguma tragédia ou um problema insolúvel os alcançar, apanhar e derrubar. Quando somente a oração, em forma de gemido que for possível fazer, seja: SENHOR, TEM COMPAIXÃO DE MIM. SENHOR SOCORRE-ME. Aí, sim! Entenderão o sentido de versículos como: Pedí, e dar-se-vos-á; buscai, e achareis; batei e abrir-se-vos-á. Pois todo o que pede, recebe; e quem busca, acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á. Pelo que eu vos digo: Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e achareis; batei, e abrir-se-vos-á; pois todo o que pede, recebe; e quem busca acha; e ao que bate, abrir-se-lhe-á.

Uma ministração inconseqüente solapa a força e o vigor do ouvinte e da igreja. Desestimula, desorganiza sua crença, desanima, fere e deixa a pessoa exposta aos ataques do inimigo. Todo ministro responsável que expõe suas ovelhas a ministrações tais, está correndo sério risco de assistir a dispersão do rebanho, a diminuição de ofertas alçadas e de dizimistas, pois a partir do momento que desestimulamos o exercício da fé através dos canais que Deus disponibilizou, cerceamos e interrompemos as bênçãos que deveriam ser derramadas sobre aqueles fiéis mantenedores. O desaparecimento do sobrenatural e a banalidade tomará conta das reuniões. Quando a fé não é nutrida, fortalecida e estimulada pelo ouvir da Palavra de Cristo, ninguém semeará. E quando as sementes não vingam, consequentemente não haverá colheita alguma. Estabelecida está a crise.

Há vitória. É possível mudar a situação. Existe uma busca que somente os desesperados trilham. Somente eles alcançam os objetivos e cantam de alegria em meio a lágrimas de júbilo e gratidão que somente os que buscam... buscam... buscam... encontram.

O momento não é para desânimo, nem prantear as perdas ou desistir de onde você chegou... Deus está no controle, e por justamente Ele estar no controle há esperança, há transformação, há milagre, há mudança. Busque. Exerça sua fé. Cante. Levante a cabeça. Pise firme. Dialogue com Deus, ambos vão gostar muito, e tal qual a mulher de origem siro-fenícia você ouvirá: grande é a sua fé! Seja feito conforme você quer.

Seja conforme você quer porque Deus quer. Não é pelo nosso querer que Deus irá agir de acordo com nossos parâmetros, caprichos e formatação, mas, é porque, primeiramente, é da vontade Dele, e mais, é mandamento Dele. E por vezes, quando não obtemos resposta isto não é argumento para fazer de tal momento nosso esboço definitivo de pregação de fé avariada. Deus sabe o por quê. Não é por falta de vasilha que deixaremos de beber água. A água continua a correr. Pare de tentar explicar o inexplicável e fazer dessa particular situação um cabedal de desculpas. Atenha-se ao revelado, àquilo que é claro, tácito, definido. Continuemos porque Deus quer, e temos certeza que você também quer.

Por causa desta palavra, vai-te, que saiu o demônio de tua filha.Voltou ela para casa e achou a menina deitada na cama. O demônio havia saído.

Qual palavra, diante de Deus, você continuará professando?

Seja um(a) valente segundo Deus, na dependëncia dEle, submisso a Ele e o mais Ele cuidará.

 

Amauri Galvão - Palavra que Funciona - um Ministério obedecendo a chamada.

 

 

 

 

 

 

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