Calma! permaneça como foi chamado

"Cada um deve permanecer na condição em que foi chamado por Deus. Foi você chamado sendo escravo? Não se incomode com isso. Mas, se você puder conseguir a liberdade, consiga-a." - I Co 07: 20b. (NVI)

O novo convertido, no primeiro momento, imerso numa atmosfera de emoção e sentimento cristãos, pode vir a abandonar seus projetos pessoais genuínos e autênticos encaminhados, para usufruir, julga ele, a nova experiência na qual adentrou. Nesse estágio da vida cristã reina o emocionalismo, o que é natural para o momento. O que se constata, é que, possuído de uma nova visão e dimensão de realidade, essa pessoa recém-convertida, torna-se, podemos dizer, um tanto quanto desorientada.

Por que desorientada? É fácil responder essa pergunta. A ocorrência da primeira grande mudança, quando da conversão, ocorre justamente no sistema central da personalidade, isto é, na mente. Essa mudança é conseqüência da atitude que leva a pessoa a um momento de impacto em todas as áreas de atuação no seu dia-a-dia. Tal atitude chama-se arrependimento, que é, nada mais nada menos, "uma mudança completa de mentalidade". No original, a palavra grega para arrependimento é "Metanóia", que, em nosso português, significa "mudança de mente".

No idioma hebraico, o sentido é de "voltar-se", como se alguém a transitar pela estrada percebesse que estaria andando na direção errada, urgentemente necessitando dar meia-volta. E é nessa meia-volta que as mudanças se sucedem, pois as atividades que a pessoa desenvolve antes do momento da conversão, geralmente estão desprovidas de propósito e significado, tendo em vista que a vontade de Deus ainda não faz parte de seus planos. O arrependimento está estampado em II Crônicas 7.14, apontado como o "retornar ao Senhor", denotando uma mudança radical na disposição da pessoa.

Portanto, nesse primeiro momento, quando aflora o sentimentalismo e manifesta-se a emoção, o recém-convertido deve receber orientação e assistência quanto aos primeiros passos da vida cristã para não acontecer que, tomando decisões precipitadas, de algumas delas arrependa-se no futuro. Chamamos essa situação de: "EU CREIO, E AGORA?".

Isso me faz lembrar de um certo rapaz que atuava decisivamente na sociedade participando de eventos e convenções, estudante ativo e profícuo, realmente uma promessa de carreira profissional de sucesso na área em que pretendia se formar. Determinado dia aconteceu o momento de sua conversão. Esse moço, ouvindo a mensagem do evangelho, arrependendo-se, recebeu a Jesus como Senhor de sua vida. Como era de se esperar numa conversão genuína, sua vida mudou, seus costumes sofreram alteração, sua maneira de ver o mundo já não era a mesma, sua cosmovisão foi atingida. O evangelho chegou e, como alguém já mencionou, "botou tudo de pernas para o ar". Houve uma mudança em todos os conceitos e prioridades, pensamentos e propósitos. A vida passou a ter significado.

Realmente, isso é um novo nascimento: ser uma nova criatura em Cristo. Questões de cultura, tradições, costumes e hábitos, tudo deve ser redirecionado conforme a vontade do Criador e não mais norteado segundo a vontade da pessoa. No primeiro momento, diante da florescência da nova vida, esse nosso recém-convertido abandonou seus projetos profissionais e culturais, dentre eles, o curso secundário preparatório para o vestibular na faculdade de advocacia e foi dedicar-se à freqüência nas reuniões da igreja e outras atividades a ela relacionadas. O tempo passou, o rapaz não retornou aos seus estudos, e, mais tarde, com uma ponta de amargor afirmava que não deveria ter interrompido seu projeto educacional na formação em advocacia, pois, notara que, agora salvo, seria muito mais abrangente e útil, tanto para a família quanto na sociedade e na igreja, se estivesse advogando.

Esta nossa reflexão referente ao "que deveria ser se não tivesse deixado" nada tem a ver com o "quem põe a mão no arado não pode olhar para trás'; simplesmente é uma avaliação preventiva e uma palavra amiga aos que estão chegando e junto trazem seus projetos pessoais genuínos. Esses projetos, longe de serem abandonados, devem ser dedicados a Deus.

Verificando o fundo histórico do texto da primeira carta aos Coríntios, mencionado acima, a passagem deve ser entendida assim: "... aquele que ao ser chamado era escravo, não se preocupe com isto; embora que, se lhe oferecerem liberdade, deve aproveitar a oportunidade. Esta questão de posição social não é o que importa. Porque o escravo cristão é espiritualmente livre em Cristo, e o livre faz-se voluntariamente servo de Cristo quando se torna crente." (paráfrase).

Amauri Galvão www.palavraquefunciona.com

Amauri Galvão

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