A opinião nossa e a dos outros

Dentre os discípulos de Jesus, quem mais se destacava era Pedro. Sua espontaneidade, veemência, ações improvisadas não medindo bem as conseqüências, com os sentimentos turbinados por emoções provocadas pelos acontecimentos do momento, revelava um homem marcado pelo temperamento sangüíneo-colérico. Reagindo conforme a ação se apresentava, resumia a situação e definia num tempo o que, achava ele, devia fazer.

Grande homem, esse Pedro. O tipo que não vislumbrava crise em nada. Seu lema era: “Se algo acontecer, deixa comigo, conta comigo”. Lendo as escrituras é possível acrescentar: “E, também.... corra comigo.” Homem de ação fácil e rápida, foi também um dos mais repreendidos por Nosso Senhor Jesus Cristo. Que demonstração de carinho do amado Jesus. Você não encontra Judas sendo repreendido. As razões? Desconhecemos, mas podemos projetar algumas delas. Ao contrário, Judas apreciava criticar as boas obras segundo seus interesses escusos- João 11.04. Em outra oportunidade conversaremos sobre esse “discípulo.”

O evangelista Mateus registra que Pedro foi o primeiro na lista dos chamados, juntamente com seu irmão André- Mt. 04.18, como também, a casa dele é a primeira descrita onde Jesus entra e faz um milagre- Mt 07.14. Na lista dos 12 escolhidos, o seu nome é o primeiro que aparece– Mt 10.02. Foi o único, isso mesmo, o único dos discípulos, que teve o privilégio de andar sobre as turbulentas águas do Mar da Galiléia– Mt. 14.29. Começou a afundar por pequeno momento devido seu próprio receio, mas o Mestre estendeu a mão e ambos caminharam juntos de volta para o barco. Quem passou por uma experiência dessas? Somente Pedro– Mt 14.29. Era Pedro que tomava a palavra e solicitava explicações das parábolas narradas por Jesus – Mt 15.15. Valorizava o que lhe era ensinado. Que carinho o Espírito Santo nutria por esse homem, pois, nas escrituras, mais propriamente nos evangelhos, a narração dos detalhes de seus atos sobrepuja, em muito, aos dos demais discípulos. O que você quiser encontrar em Pedro, você achará. Criticá-lo ou elogiá-lo, dependerá de seu ponto de vista. O Espírito Santo ama esse homem com ternura.

Tanto ama, que permitiu contassem o drama que Pedro passou na noite da prisão do Senhor Jesus. Tal drama, provocado por criadas paroleiras, faladeiras e tagarelas desenrola-se assim: “Ora, Pedro estava assentado fora, no pátio; e, aproximando-se dele uma criada, disse: Tu também estavas com Jesus, o galileu. Mas ele negou diante de todos, dizendo: Não sei o que dizes. E, saindo para o vestíbulo, outra criada o viu, e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno. E ele negou outra vez com juramento: Não conheço tal homem. E, daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente também tu és deles, pois a tua fala te denuncia. Então começou ele a praguejar e a jurar, dizendo: Não conheço esse homem. E imediatamente o galo cantou. E lembrou-se Pedro das palavras de Jesus, que lhe dissera: Antes que o galo cante, três vezes me negarás. E, saindo dali, chorou amargamente.”- Mt 26.69-75.

Note o que é sofrer com opinião de terceiros e como essas opiniões de pretensas “criadas” do sumo-sacerdote circulam e aumentam muito rápido. A evolução do processo, nessa passagem, aconteceu em três momentos:

Momento 01 – “...Pedro estava assentado fora, no pátio, e, aproximando-se dele uma criada, disse:..”. Verifica-se que o contato foi direto, a abordagem soa até com um tom de certa indignação por parte da criada. Dá até para visualizar o olhar impositivo, arrogante e fulminante. Ela disse: “... Tu também estavas com Jesus, o galileu.” Ou seja, você estava com Ele, pertence ao grupo dele. Aqui não é seu lugar! Não ocupe espaço que não é seu! O que você faz aqui? - Como se tivesse autoridade para tal. Ali estavam, cambistas, comerciantes, administradores, ricos e pobres, soldados e autoridades, ninguém se importou com Pedro, somente... a criada.

Momento 02 – “...outra criada o viu e disse aos que ali estavam: Este também estava com Jesus, o Nazareno.” Esta criada já é outra que, provavelmente, ficou sabendo que Pedro estava ali pela sua companheira de profissão; a primeira criada. Este é o processo: você está passando por uma crise profunda, não está trilhando o caminho da desobediência, mas permanece onde o Mestre está. A crise vem e instala-se. Quem irá decompor e detalhar o processo que detonou a crise, explicando o porque dela vir a existir? Perguntem a Deus pelo dilema de Jó! Perguntem a Jó pelas respostas que obteve! Você encontra-se em extrema solidão porque os “donos da verdade” estão traçando seu destino sem nada perguntar a você, nem a Deus, ou melhor, estão desempenhando um papel e delineando uma iniciativa que é prerrogativa única de Deus, ou seja: tomam o lugar de Deus na ação. Nada está a seu favor, as nuvens de seu céu estão carregadas e prometem tempestades marcadas por ventos, trovoadas e raios, no entanto, as “criadas” do sumo sacerdote – é o que evangelista Marcos conta, Mc 14.66 – estão por aí, parolando, tagarelando, matraqueando, divulgando intimidades que pertencem só a você, colocando seu nome, sua família, seus filhos, seu ministério no caldeirão das maldições, acrescentando sua crise; sem dó, nem misericórdia. As reuniõezinhas, piqueniques de finais de semana, jantares e outras circunstâncias adequadas ao convite para a celebração e conversação sadia e alegre torna-se o momento ideal para a futilidade, não para glorificar a Deus num devocional em grupo, e sim, para enegrecer e imundalizar sua moral, não pesando que, por tudo isso, irão dar contas a Deus. O dia pode até demorar, mas, com toda certeza, chegará.

Essa dita criada iniciou um processo evolutivo de maldição, ou seja, maldizer, falar nada bem da pessoa de Pedro para os outros. Disseminou, difundiu, propagou para os que ali estavam que “...Este também estava com Jesus, o Nazareno.”. Ela não estava contente em saber, necessitava contar, espalhar, exercer pressão sobre os demais para montar um conceito sobre o comportamento e a pessoa de Pedro. Tal conceito nem mesmo Pedro aceitava. Mas a criada teimosa, insistia: "Ele é...ele é...ele é. É ele." Por mais que você diga: “Não sou isso tudo que vocês estão falando!!!”, as criadas continuarão. Esta é uma das ocupações principais e diárias delas; quase não fazem outra coisa, pois desejam descentralizar e banir você, geograficamente, ou seja, deslocar você de seu lugar. Esperam ver você cabisbaixo, desfigurado, desesperado, desencantado com a vida, desesperançado. E todos sabem qual o resultado nesse processo todo. É o que veremos a seguir.

Momento 03 – “...daí a pouco, aproximando-se os que ali estavam, disseram a Pedro: Verdadeiramente também tu és deles, pois a tua fala te denuncia.” Este é o resultado da fala mansa dos cantos de sala e beiradas de mesa. O nome de Pedro caiu na opinião pública. Todos estavam sabendo e a uma diziam: “... você é..., você é..., você é!!!, Todos dizem que você é, assuma.... você é!!! Olha, aí; tá na cara!!”. A questão referente a Pedro pode ser um pouco diferenciada, mas, aplicando o princípio de que um “pensa que sabe” e fala o que “pensa que sabe” para outros, e outros, “pensando que souberam toda verdade”, dizem a todos o que “pensam que acreditaram como sendo a faceta da verdade sobre aquela pessoa”, desencadeia uma desconstrução do caráter e da moral da pessoa envolvida, e ninguém mais segura a evolução de malquerência e aversão pela pessoa que é alvo dessa desdita. O guerreiro e rei Davi tinha razão quando optou por cair nas mãos de Deus, a cair nas mãos dos homens. Em Deus há misericórdia; os seres humanos são implacáveis. I Cr 21.13.

Pedro ouviu, resmungou, tentou provar a inconveniência dos argumentos da turba usando o expediente da negação. Mas, e isto muda tudo, ele não ficou só nisso. Chorou, arrependeu-se. Recebeu poder e tornou-se, dentre tantos, um dos nomes mais conhecidos das narrativas bíblicas. Hoje, aguarda ser coroado. Nós estaremos lá para esse evento, pelo Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se for possível, perdoem-me a ousadia na expressão, e, ao mesmo tempo não depreciando tão elevado momento, longe disso; naquele momento, assobiarei alto. Sim, Assobiarei!! Baterei palmas e gritarei até, dizendo: “Esse é o meu irmão Pedro”. Se você estiver por perto, tenho certeza, a comoção o tomará e você fará companhia comigo no coro.

Onde estão os opositores de Pedro e como terminou a história de vida deles; tagarelas, inquiridores, acusadores, apontadores de falhas e deserção? Você dá a resposta.

Deixe de nutrir o choro e a angústia em seu coração. A história sagrada mostra que, diferentemente do dito popular “a voz do povo é a voz de Deus”, a voz do povo equivocou-se multiplicadas vezes. O que permanece é que Deus sempre tem a última palavra e opinião sobre nós. Ele sabe o que ocorre com seu coração maltratado e ferido. Conhece de perto seus traumas, complexos e fraquezas. Claro está diante dele que, mesmo que seu pensamento, às vezes, cogite abandonar tudo, seu coração, no entanto, clama dia e noite pelas Palavras de Vida Eterna e pelo consolo que só o Espírito Santo tem para conceder.

Vamos, meu companheiro no reino e nas tribulações!! Levante a cabeça, firme bem seus passos, estabeleça pensamentos fortes e bíblicos. Sua opinião sobre você mesmo pode estar um pouco distorcida, nem tampouco a opinião dos outros sobre você, revela a realidade. Há a opinião divina para você: “Porque eu bem sei os pensamentos que tenho a vosso respeito, diz o SENHOR; pensamentos de paz, e não de mal, para vos dar o fim que esperais. “ Jeremias 29.11.

Amauri Galvão www.palavraquefunciona.com

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